Terceirização

Há terceirização quando uma parte de um produto,  ou um produto completo, é produzido por uma empresa (o fornecedor), sobre material de propriedade de outra (o cliente). Portanto, há sempre duas empresas envolvidas: o cliente e o fornecedor, e a modelagem do processo depende do papel da própria empresa. Ou a nossa empresa está no papel de cliente, ou está no papel de fornecedora da terceirização.

A imagem a seguir mostra, parcialmente, o cadastramento da terceirização de teclados tanto do ponto de vista da empresa Cliente, como da Fornecedora.

A empresa Cliente fabrica computadores e terceiriza a produção dos teclados, enviando parte dos insumos (as teclas) para o Fornecedor.

 Cliente
procedência
Cliente
dono
Cliente
doc
Fornecedor
proced
Fornecedor
dono
Fornecedor
doc
COMPUTADORFabrN (Normal)OP---
.TECLADOComprNSC, PCFabrNOP
..TECLASComprP (Fornecido por nós)SETComprC (Fornecido pelo cliente)SRT
..DECALCOIndiferenteN-ComprNSC, PC

Como é especificada a terceirização, no cadastramento dos produtos?

  • na procedência do item fabricado: do ponto de vista da empresa Cliente, o teclado é comprado, do ponto de vista do Fornecedor é fabricado.
  • na indicação do dono do insumo, na estrutura de produto:
    • do ponto de vista da empresa Cliente, o insumo “Tecla” é “de sua propriedade, enviado para o Fornecedor”.
    • do ponto de vista da empresa Fornecedora, o insumo “Tecla” é recebido do Cliente.

Se o MAXIPROD é rodado pela empresa Cliente da terceirização: além das SCs e OPs normais, é gerada uma SET (Solicitação de Envio para Terceirização), listando os insumos de nossa propriedade (no caso, as teclas) que devem ser enviados para o fornecedor de teclados.

Se o MAXIPROD é rodado pela empresa Fornecedora da terceirização: além das SCs e OPs normais, é gerada uma SRT (Solicitação de Recebimento para Terceirização), que é enviada para o cliente, solicitando que nos envie os insumos de sua propriedade (no caso, as teclas).

O MRP da empresa Cliente verifica que o teclado é comprado, mas prossegue na explosão da estrutura de produto, à procura de itens com dono = P (fornecido pela própria empresa) , que são aqueles que devemos enviar para o fornecedor do teclado. Observação: normalmente a estrutura de produto de um item comprado não precisa ser cadastrada, porque ela é da alçada do fornecedor.  Podemos, no entanto, cadastrá-la, porque há situações em que um mesmo item é ora fabricado pela própria empresa, ora comprado de um fornecedor. Em ambos os casos, se todos os insumos do item tem dono = N (normal), estes insumos são adquiridos pela mesma empresa que produz o item fabricado. No entanto, se um insumo tem dono = P, então temos um caso de terceirização, ie de fabricação (por um fornecedor) com insumos (não necessariamente todos) de propriedade, e enviados pela empresa cliente.

Já para o MRP da empresa Fornecedora, o teclado é um item fabricado. Ao explodir a sua estrutura de produto, quando encontra um insumo com dono = C (fornecido pelo cliente), não o compra, nem fabrica, apenas o inclui em uma SRT (Solicitação de Recebimento para Terceirização) que é enviada para o Cliente, para que este providencie o insumo.

Terceirização, do ponto de vista do fornecedor

Vide também Triangulação no recebimento de insumos pelo fornecedor de terceirização

A terceirização tem reflexos físicos, fiscais e contábeis, tanto para o cliente, como para o fornecedor. Sua produção decorre normalmente, exceto pelo fato de os insumos (todos, ou uma parte) não serem comprados, portanto não são de propriedade do fornecedor, mas sim do cliente.

Consequências:

  • o material recebido do cliente, ou por conta do cliente, deve ser armazenado em uma conta contábil classificada como “estoque de terceiros em nosso poder“, diferente do nosso estoque normal (“estoque nosso em nosso poder“).
  • o produto resultante da terceirização não é vendido para o cliente, como em uma operação de venda normal, pois uma parte deste produto já pertencia ao cliente antes da produção. Portanto, o valor da venda inclui apenas a mão de obra, e os insumos de sua propriedade que o fornecedor tiver agregado ao produto – e os impostos também são calculados sobre estes valores.
  • Para evitar sonegação, a receita deve ser informada do destino dos insumos que o cliente enviou para o fornecedor. Todo insumo enviado deve ser devolvido, seja incorporado a um produto vendido para o cliente, seja em sua forma original, não tendo sido utilizado na industrialização. Para isso, o fornecedor precisa registrar a quantidade de cada material de propriedade do cliente que foi incorporada aos produtos.
  • O MAXIPROD registra isso automaticamente. Sempre que um material de propriedade de terceiro é baixada como insumo para uma ordem de produção, ele é acrescentado a uma lista de consumidos, que registra tanto a origem (a NF de recebimento do material) como o destino (a ordem de produção).  Isto facilita a  montagem da NF de “devolução dos materiais de terceiros incorporados ao produto”.
  • Ao planejar a necessidade de insumos para a produção por conta de terceiros, o MRP do MAXIPROD considera de forma independente o estoque de materiais de cada terceiro em seu poder,  gerando as solicitações de recebimento para terceirização  (SRTs) específicas para cada cliente.
Cadastramento da produção terceirizada no MAXIPROD

Quando o fornecedor cadastra a estrutura de produto, a propriedade “Dono do item-filho” pode ter dois valores:

  1. Cliente: o insumo deve ser providenciado pelo cliente.
  2. Normal: a própria empresa providencia o insumo.
Operação do fornecedor
  1. É cadastrado o pedido de venda do produto a ser entregue  ao cliente.
  2. O MRP  gera:
    • as ordens de produção (OPs) de itens fabricados
    • as solicitações de compra (SCs) de insumos a serem comprados diretamente pelo fornecedor.
    • as solicitações de recebimento para terceirização (SRTs) dos insumos de propriedade do cliente (dono do item-filho = “cliente”),  que são enviados pelo mesmo, sem ordens de produção ou solicitações de compra.
  3. Recebimento e estocagem: o material recebido do cliente, ou de um fornecedor por conta do cliente, é colocado em estoque “em nosso poder, de propriedade do cliente”.
  4. Produção: os insumos de propriedade do cliente baixados para uma ordem de produção são anotados em uma lista de consumidos.
  5. Remessa dos produtos e devolução de insumos para o cliente:
    • devolução dos itens da lista de consumidos, incorporados aos produtos. Por obrigação legal, todos os materiais recebidos pelo fornecedor, de propriedade do cliente, são devolvidos ao mesmo através de NFs de devolução;
    • devolução de materiais de propriedade do cliente que sobraram, não tendo sido incorporados a produtos;
  6. Os produtos resultantes de materiais e mão de obra fornecidos pelo fornecedor são vendidos ao cliente, em uma operação de venda de produto industrializado.

Exemplo

Apresenta-se aqui um exemplo de terceirização do ponto de vista do fornecedor.

O objeto da terceirização é uma mesa, cujo tampo é fornecido pelo cliente, sendo o resto produzido pelo próprio fornecedor.

Consideremos a seguinte estrutura de produto:

Para indicar que o tampo de vidro será fornecido pelo cliente, devemos marcar a opção Fornecido pelo cliente (terceirização) no cadastro da estrutura de produto, conforme figura abaixo.

O material enviado pelo cliente deve ser lançado em uma nota fiscal recebida que utilize uma operação fiscal em que a conta de destino da movimentação possua a finalidade Estoque de terceiros em nosso poder.

O item fornecido pelo cliente será estocado em um depósito “De 3º a industrializ”, o que facilita a diferenciação deste estoque dos demais estoques da própria empresa.

Ao concluir a ordem de produção, caso a opção Refluxo estiver marcada no cadastro do insumo fornecido pelo cliente, este será baixado automaticamente.

Após ser baixado, o estoque de 3º exibe o número da ordem de produção para a qual foi baixado.

Para retornar a mercadoria utilizada na industrialização ao cliente, deve-se configurar, na Operação fiscal:
1) Marcar a opção Permite informar NF original.
2) Origem da movimentação = Estoque consumido de 3º.

Para inserir os itens na NF de retorno, após informar cliente e operação fiscal, deve-se clicar no menu Ações > Inserir itens a partir do estoque.

Na janela exibida, selecione os itens desejados e em seguida clique no botão Ok.

Os itens selecionados serão inseridos na NF com o mesmo valor unitário da NF original e o número da NF será exibido na coluna NF Referenciada.

Após este passo, basta emitir a NF preenchendo os campos obrigatórios que ainda não estiverem preenchidos.

Através da ficha de estoque, acessada pelo menu Estoque > Ficha de estoque, é possível consultar a rastreabilidade do estoque de 3º, como pode-se observar na figura abaixo.

Terceirização, do ponto de vista do cliente

Vide também Um exemplo detalhado, passo a passo

Exemplo

Uma empresa A:

  • fornece embalagens de papelão para o mercado
  • terceiriza a produção para um fornecedor B (a empresa “terceirizada”, que  realmente produz a embalagem)
  • compra o papelão de uma outra empresa C, enviando-o para a empresa B.
Cadastramento dos itens

A estrutura é formada por dois itens, a Embalagem, que tem como item-filho o Papelão.

Ambos terão procedência “Comprado”;

  • Embalagem é comprada da empresa B, e vendida para o mercado
  • Papelão: a empresa A compra-o da empresa C, e envia-o para a empresa B.
Estrutura de produto

Na estrutura de produto, o item-filho Papelão é ligado à embalagem com o checkbox “Fornecido por nós (terceirização)” ligado. Se a empresa A apenas comprasse a embalagem da empresa B, para revendê-la, não seria necessário especificar a sua estrutura de produto, pois isto seria da alçada apenas da empresa B. No entanto, neste caso a empresa B está agindo como terceirizada, isto é, ela produz com material de propriedade da empresa A. A empresa A precisa cadastrar a estrutura de produto da Embalagem para saber que insumos deve enviar para serem industrializados por pela empresa B.

MRP

São criadas pela empresa A as SC (solicitações de compra) a seguir convertidas em pedidos de compra:

  • do item Embalagem, a serem produzida pelo fornecedor  B.
  • do item Papelão, que é o insumo  a ser comprado e remetidos para o fornecedor B;
Recebimento dos insumos do fornecedor C

Tanto os insumos a serem incorporados pelo própria empresa (neste caso, nenhum),  como os que são incorporados pelo fornecedor  (oPapelão)  são recebidos  dos fornecedores  C.

Remessa de insumos para o fornecedor B (terceirizado)

Os materiais remetidos  para o fornecedor B (neste caso, o Papelão) são transferidos, no cadastro da própria empresa A, para “estoque próprio, em poder de terceiros“.

Recebimento dos produtos do fornecedor B

Neste caso, da Embalagem: atende os pedido de compra, e é estocados.  O valor constante da NF de recebimento da embalagem e adicionado ao estoque inclui a mão de obra realizada pelo fornecedor terceirizado B e os insumos adquiridos diretamente pelo forecedor terceirizado B, mas não os insumos enviados pelo cliente A (que já são de sua propriedade).

Recebimento da nota fiscal de devolução dos insumos consumidos

Esta NF é emitida pelo fornecedor terceirizado B, dela constando os insumos consumidos (Papelão) retirado do “estoque próprio, em poder de terceiros”, sendo o seu valor é adicionado ao do estoque dos produtos recebidos, conforme item anterior.

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Incorporar valor a outro item de NF

Siga os passos abaixo para incorporar o valor de um item a outro item de NF. Essa função serve normalmente para o cenário em que terceirizamos um produto e precisamos incluir o custo do serviço ao item final; ou o custo dos insumos consumidos ao insumo beneficiado.

Veremos um exemplo para o seguinte cenário:

  • Estamos recebendo uma nota fiscal com dois itens, cada um com uma operação fiscal diferente.
  • Um item é referente ao insumo consumido na terceirização e outro é o item final, que passou pelo processo de cromagem.
  • Nossa intenção é incluir o custo do insumo consumido ao custo do produto cromado.
  • Além disso, temos a condição de que a cobrança deve ser feita apenas com o valor do produto cromado.

a) Configurando o produto final (cromado) para entrar no estoque e gerar cobrança:

  • Entre na edição do item e marque a opção “Com pagamento”.
  • A movimentação de estoque desse item vai ser normal: vem de uma conta de industrialização por terceiros e vai para uma conta de estoque.

 

b) Configurando o insumo consumido para que agregue o custo dele ao item beneficiado, saia a quantidade que temos dele no estoque em poder de terceiros e não gere cobrança:

  • Entre na edição do item e desmarque a opção “Com pagamento”.
  • Nas contas de movimentação de estoque, a origem deve ser “Estoque em poder de terceiro” (caso não faça controle do estoque em poder de terceiros, selecione a opção “Conta”) e o destino deve ser “Incorporar valor a outro item de NF”.
    • Ao selecionar a opção “Incorporar valor a outro item de NF”, abre um novo campo, onde você deve selecionar o item de NF a incorporar o valor.
    • Clique na lupa de seleção  e selecione o item da nota quem você deseja que seja incluído o valor (o item cromado) e clique em “Ok”.
    • Clique para salvar a edição do item.

Feitos os passos a) e b), informe uma forma de cobrança para a nota e observe que será gerada a cobrança apenas do item que deixamos a opção “Com pagamento” marcada.

Por fim, receba a nota. Observe que o item entrará no estoque com o custo dele + custo do item consumido.